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terça-feira, 29 de setembro de 2015

Por que não há mais apóstolos hoje? - Rev. Augustus Nicodemus

Em sua polêmica contra os escribas e fariseus, Jesus de certa feita se referiu a seus apóstolos como aqueles que, à semelhança dos profetas, sábios e escribas enviados por Deus ao antigo Israel, seriam igualmente enviados, rejeitados, perseguidos e mortos (Lc 11.49 com Mt 23.34). Desta forma, ele estabelece o paralelo entre os apóstolos e os profetas como enviados de Deus ao seu povo.
Tem sido observado que os sucessores dos profetas do Antigo Testamento, como Isaias, Jeremias, Ezequiel, Daniel e Amós, por exemplo, não foram os profetas do Novo Testamento, que tinham ministério nas igrejas locais, mas os apóstolos de Jesus Cristo, mais especificamente os doze e Paulo.1
Conforme já vimos acima, os profetas foram diretamente vocacionados e chamados por Deus (cf. Is 6.1-9; Jr 1.4-10; Ez 2.1-7; Am 7.14-15). A palavra mais usada para “profeta” no Antigo Testamento (nabi), que transmite o conceito de alguém que fala por outro, como “sua boca” (Ex 4.16; 7.1; cf. ainda Dt 18.14-22). O profeta era, então, primariamente, alguém que falava da parte de Deus, inspirado e orientado por ele. Os profetas falaram ousadamente da parte dele sua mensagem ao povo de Israel (Lc 1.70; Hb 1.1-2). Parte destas profecias veio a ser escrita e registrada no Antigo Testamento, que é chamado por Paulo de “escrituras proféticas” (Rm 16.26, cf. ainda 2Pe 1.21; 2Tm 3.16).2 Notemos que a mensagem dos profetas não consistia apenas da predição de eventos futuros relacionados com a ação de Deus na história, os quais se cumpriram infalivelmente (Dt 18.20-22; cf. 1Rs 13.3,5; 2Rs 23.15-16). A mensagem deles consistia, em grande parte, na exposição desses eventos e sua aplicação aos seus dias. Os profetas introduziam suas palavras com as fórmulas “assim diz o Senhor” e “veio a mim a Palavra do Senhor dizendo,” o que identificava sua mensagem como inspirada e infalível. Como tal, deveria ser recebida pelo povo de Deus como a própria palavra do Senhor.
A literatura intertestamentária produzida pelos judeus nos séculos depois de Malaquias considerava que o ministério desses profetas encerrou-se com Malaquias.3 Da mesma forma, os escritores do Novo Testamento se referem aos profetas antigos como um grupo fechado e definido (cf. Mt 23.29-31; Mc 8.28; etc.). A pergunta é: através de quem Deus continuou a se revelar? Quem foram os sucessores dos profetas do Antigo Testamento como receptores e transmissores da Palavra de Deus? Resta pouca dúvida de que foram os doze apóstolos e o apóstolo Paulo, e não os profetas cristãos das igrejas locais, como aqueles que haviam em Jerusalém, Antioquia e Corinto, por exemplo (At 11.27; 13.1; 1Co 14.29). Ao contrário do que ocorria no Antigo Testamento, profetizar, na igreja cristã nascente, era um dom que todos os cristãos poderiam exercer no culto, desde que seguindo uma determinada ordem (1Co 12.10; 14.29-32). E, diferentemente dos grandes profetas de Israel, as palavras dos profetas cristãos tinham de ser julgadas pelos demais (1Co 14.29) e eles estavam debaixo da autoridade apostólica (1Co 14.37).
Em contraste com os profetas cristãos, os apóstolos  do Novo Testamento, isto é, os doze e Paulo, receberam uma chamada específica de Jesus Cristo, receberam revelações diretas da parte de Deus, como os antigos profetas (At 5.19-20; 10.9-16; 23.11; 27.23; 2Co 12.1), e assim predisseram futuros eventos relacionados com a história da salvação, entre os quais a segunda vinda do Senhor, a ressurreição dos mortos e o juízo final – isso não quer dizer que sua chamada se deu porque tinham o “dom” de apóstolo. (1Co 15.51-52; 2Ts 2.1-12; 2Pe 3.10-13).4 Lembremos que o livro de Apocalipse é uma profecia (ver Ap 1.3; 22.18-19) escrita por um apóstolo.5 Ao contrário dos profetas cristãos das igrejas locais, que não deixaram nada escrito, os apóstolos foram inspirados para escrever o Novo Testamento (1Ts 2.13; 2Pe 3.16) e a palavra deles deveria ser recebida, à semelhança dos profetas antigos, como Palavra de Deus, sem questionamentos, ao contrários dos profetas das igrejas locais (Gl 1.8-9; 1Co 14.37). Os autores neotestamentários que não foram apóstolos, como Marcos, Lucas, Tiago e Judas eram, todavia, parte do círculo apostólico e associados aos apóstolos, escrevendo a partir do testemunho deles.6
Como sucessores dos profetas de Israel e canais da revelação, os apóstolos aparecem juntos com eles na base da igreja. Nas palavras de Jesus, “Enviar-lhes-ei profetas e apóstolos, e a alguns deles matarão e a outros perseguirão” (Lc 11.49). Paulo junta os dois grupos duas vezes na carta aos Efésios como aqueles designados por Deus para lançar as bases da igreja; “edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas” (Ef 2.20); “o qual, em outras gerações, não foi dado a conhecer aos filhos dos homens, como, agora, foi revelado aos seus santos apóstolos e profetas, no Espírito” (Ef 3.5). Muitos estudiosos entendem que os “profetas” mencionados nestas duas passagens de Efésios são profetas das igrejas neotestamentárias, que vieram depois dos apóstolos. Todavia, mesmo estando numa sequência temporal invertida, “profetas” se entende melhor como os grandes profetas de Israel, que vieram antes dos apóstolos. A sequência “apóstolos e profetas” não precisa ser entendida como uma sequência temporal. Os apóstolos são mencionados primeiro por estarem no foco do contexto.7
Em sua segunda carta, Pedro admoesta seus leitores a se recordarem tanto das palavras que foram ditas pelos “santos profetas” como do mandamento ensinado por “vossos apóstolos” (2Pe 3.2). Alguns entendem que “vossos apóstolos” aqui é uma referência aos missionários pioneiros que haviam fundado as igrejas às quais Pedro escreve. Contudo, a carta de Pedro não foi destinada a igrejas locais específicas e sim aos cristãos em geral (cf. 2Pe 1.1). O único grupo de “apóstolos” que se encaixaria como “vossos apóstolos” seriam os doze, que eram apóstolos para todas as igrejas.8 A carta de Judas, cuja similaridade com a segunda carta de Pedro tem levado estudiosos a acreditarem numa dependência literária entre elas,9 ao se referir aos apóstolos neste mesmo contexto, designa-os como “os apóstolos de nosso Senhor Jesus Cristo,” numa clara referência ao grupo dos doze (Jd 17).10 Estas passagens refletem a consciência de que os apóstolos de Jesus Cristo foram os continuadores dos profetas do Antigo Testamento como canais pelos quais Deus revelou sua vontade.11
Uma vez que a revelação de Deus quanto ao plano da salvação foi totalmente escrita e registrada de maneira final, completa e infalível pelos apóstolos, no Novo Testamento, completando assim a revelação dada através dos profetas de Israel no Antigo Testamento, encerrou-se o ministério de ambos os grupos.
Já que os apóstolos foram os sucessores dos profetas do Antigo Testamento, não há, pois, hoje, possibilidade de haver apóstolos como os doze e Paulo, pois eles foram recipientes e transmissores da revelação final de Deus para seu povo, que se encontra registrada no Novo Testamento.
Fonte: Trecho do livro “Apóstolos”, futuro lançamento da Editora Fiel.
1 - Cf. Heber Carlos de Campos, “Profecia Ontem e Hoje” emMisticismo e Fé Cristã (São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2013), pp. 63-126; Christiaan J. Beker, Paul the Apostle - The Triumph of God in Life and Thought (Philadelphia: Fortress Press, 1980), p. 113.
2 - Alguns estudiosos, como E. E. Ellis, sugerem que “escrituras proféticas” é uma alusão de Paulo a escrituras que haviam sido produzidas por profetas neotestamentários, escritos estes que haviam circulado pelas igrejas, mas nunca foram preservados (E. Earle Ellis,The Old Testament in Early Christianity em WUNT, 54 [Tübingen: Mohr/Siebeck, 1991], 4-5; E. Earle Ellis, Pauline Theology: Ministry and Society [Grand Rapids: Eerdmans; Exeter: Paternoster Press, 1989], 138 n. 79). Todavia, Cranfield corretamente considera esta interpretação de Ellis como “desesperada” (C. E. B. Cranfield, A Critical and Exegetical Commentary on the Epistle to the Romans, 2 vols, em International Critical Commentary [Edinburgh: T. & T. Clark, 1979], 2:811, n.8).
3 - “Desde que os últimos profetas Ageu, Zacarias e Malaquias morreram, o Espirito Santo cessou em Israel” (T. Sota, 13, 2). Cf. πνε?μα no TDNT.
4 - O livro de Atos registra duas ocasiões em que Ágabo, um profeta de Jerusalém, anunciou acontecimentos futuros, relacionados com uma fome que veio a acontecer nos dias do imperador Cláudio (At 11.27-30) e com a prisão de Paulo em Jerusalém (At 21.10-11). O fato de que somente estes dois casos de profecias predictivas (e feitas por um único profeta) estão registrados pode indicar que a previsão do futuro não era comum fora do círculo apostólico, especialmente ainda se considerarmos que ambas as profecias de Ágabo estavam relacionadas com o ministério de Paulo. White tenta colocar estas profecias de Ágabo no mesmo nível daquelas revelações fundacionais que foram dadas aos apóstolos (Ef 3.5; cf. R. Fowler White, "Gaffin and Grudem on Eph 2:20: In Defense of Gaffin's Cessationist Exegesis," em Westminster Theological Seminary, 54 [1992], 309-310), mas é evidente que elas estavam relacionadas com a vida pessoal do apóstolo Paulo, tanto sua em ida a Jerusalém levando ajuda para os crentes da Judeia, como em sua posterior prisão naquela cidade.
5 - Assumimos aqui que foi o apóstolo João quem escreveu o livro de Apocalipse.
6 - Marcos escreveu a partir do testemunho de Pedro. Lucas foi companheiro de Paulo. Tiago era o irmão de Jesus, líder da igreja de Jerusalém e próximo do círculo (Gl 1.19). Judas era outro irmão de Jesus e também relacionado com o círculo apostólico. Lembremos por fim que Hebreus entrou no cânon porque sua autoria era atribuída ao apóstolo Paulo, como até hoje é defendido por vários estudiosos.
7 - Que Ef 3.5 se refere aos profetas do Antigo Testamento é também defendido por F. Mussner, Christus, das All und die Kirche: Studien zur Theologie der Epheserbriefes (Trierer: Paulinus, 1955), 108. Deve-se admitir, contudo, que grande parte dos comentaristas pensa que Paulo está se referindo aos profetas neotestamentários, como Andrew T. Lincoln, por exemplo. (Ephesians em Word Biblical Commentary, vol. 42, eds. D. Hubbard, et al. [Dallas, TX: Word Books, 1990], 153. Tanto Gaffin (Richard B. Gaffin, Jr. Perspectives on Pentecost: New Testament Teaching on the Gifts of the Holy Spirit [Grand Rapids: Baker, 1979], 93) quanto Grudem (Wayne Grudem, The Gift of Prophecy in 1 Corinthians [Washington: University Press of America, 1982], 47) entendem que “profetas” em Efésios 2.20 se refere aos do Novo Testamento, mas eles fazem esta defesa no contexto do debate cessacionismo-continuismo. Um dos principais argumentos contra o entendimento de que Paulo aqui se refere aos profetas do Antigo Testamento é a ordem “apóstolos e profetas,” o que tornaria isto cronologicamente impossível. Entretanto, a menção que Paulo faz dos profetas do Antigo Testamento, depois de Jesus em 1Ts 2.15, “os quais não somente mataram o Senhor Jesus e os profetas, como também nos perseguiram” certamente inverte a sequência histórica dos eventos e mostra que Paulo nem sempre está preocupado com a cronologia, como estudiosos modernos estão. Cf. F. F Bruce, 1 & 2 Thessalonians, WBC, vol. 45, eds. D. Hubbard, et al. (Dallas, TX: Word Books, 1982), 47; Robert Jamieson, A. R. Fausset, e David Brown, Commentary Critical and Explanatory on the Whole Bible (Oak Harbor, WA: Logos Research Systems, Inc., 1997).
8 - Cf. A. T. Robertson, Word Pictures in the New Testament(Nashville, TN: Broadman Press, 1933) in loco; D. A. Carson, R. T. France, J. A. Motyer, e G. J. Wenham, orgs. New Bible commentary: 21st century edition. 4th ed. (Leicester, England; Downers Grove, IL: Inter-Varsity Press, 1994) in loco.
9 - Veja Augustus Lopes, II e III de João e Judas (São Paulo, SP: Editora Cultura Cristã, 2009).
10 - Cf. Jamieson, Commentary, in loco.
11 - É preciso observer que a declaração de Jesus de que “todos os Profetas e a Lei profetizaram até João” (Mt 11.13) significa o encerramento do ministério dos profetas do Antigo Testamento, mas não o término da revelação que começou a ser dada através deles. Os apóstolos do Novo Testamento – e não os profetas do Novo Testamento – foram os canais pelos quais esta revelação continuou a ser dada. É neste sentido que os consideramos como sucessores dos profetas de Israel.
Rev. Augustus Nicodemus Lopes



quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Salmo 110 - O Messias Poderoso - Rev. Cláudio Neves


Sermão dia 20.09.2015 
Salmo 110 - O Messias Poderoso - Rev. Cláudio Neves 
3º Sermão da Série: "O Cristo Revelado nos Salmos" 


A Igreja é Una - R. C. Sproul

No capítulo dezessete do evangelho de João, Jesus oferece a oração mais extensa registrada para nós no Novo Testamento. É uma oração de intercessão na qual ele orou por seus discípulos e por todos aqueles que haveriam de crer por meio do testemunho de seus discípulos. Essa oração é chamada de a Oração Sacerdotal de Jesus. Um dos temas centrais dessa oração é o pedido de Cristo ao Pai para que seu povo possa ser um. Era uma oração pela unidade cristã. Contudo, aqui estamos nós, no século vinte e um, e a igreja provavelmente se encontra mais fragmentada que em qualquer outro período da história da igreja. Temos visto uma crise com a pergunta: “O que é a igreja, afinal de contas?”
Historicamente, por meio do Concílio de Niceia da igreja primitiva, a igreja foi definida por quatro palavras- -chave, a saber: 1) una, 2) santa, 3) católica, e 4) apostólica. Conforme estudarmos a natureza da igreja, desejo detalhar essas quatro categorias descritivas, visto que elas definem a natureza da igreja.
Em primeiro lugar, a igreja é una. Sério? Se pesquisarmos o cenário da cristandade dos dias de hoje, a última palavra que poderemos usar para descrevê-la será una, ou unificada.
Como podemos compreender e responder à oração de Cristo pela unidade da igreja e à declaração da igreja primitiva de que a igreja é una? Tem havido diferentes abordagens para este tema ao longo da história. No século vinte ocorreu o que tem sido chamado de “o movimento ecumênico”. Foi uma tentativa, por meio do Conselho Mundial de Igrejas e outras organizações, de se mover em direção à formação ou reforma de grupos denominacionais dissidentes em um único e centralizado corpo eclesiástico.
O objetivo maior do movimento ecumênico era a restauração da unidade da igreja visível. Uma das coisas que vimos como resultado deste impulso em direção à unidade foi um número crescente de fusões entre denominações anteriormente divididas. Infelizmente, o que geralmente ocorre quando duas igrejas ou denominações fazem uma fusão é que determinadas pessoas não concordam com essa junção e acabam abandonando a recém-formada organização para fundar uma nova que se alinhe com seus valores. Então, em seus esforços para diminuir o número de igrejas por meio da unificação, estes movimentos simplesmente criam ainda mais igrejas.
Além disso, outro problema surgiu. Foi o problema do pluralismo. Pluralismo é uma filosofia que permite a uma ampla diversidade de pontos de vista e doutrinas coexistirem dentro de um único corpo. Como surgiram tantas disputas doutrinárias dentro de algumas igrejas, eles tentaram manter a paz e a unidade ao mesmo tempo em que acomodavam as diferentes visões dentro da igreja. Foi uma tentativa de acomodar pontos de vista conflitantes.
Conforme a igreja se torna mais pluralista, o número de pontos de vista contraditórios tolerados aumenta. Por sua vez, a unidade estrutural e organizacional se torna a principal preocupação. As pessoas lutam para manter a unidade da igreja visível a todo custo. No entanto, sempre há um preço a ser pago por isso, e, historicamente, o preço tem sido a pureza confessional das igrejas.
Quando o movimento protestante começou nos séculos dezesseis e dezessete, foram criadas as confissões. Elas eram declarações do credo que estabeleciam as doutrinas subscritas e confessadas por aquelas igrejas em particular. Em sua maior parte, estes documentos confessionais resumiam os princípios centrais do que significa ser um cristão – coisas como a crença na trindade, Cristo como uma pessoa com duas naturezas, e a ressurreição dos corpos. Por séculos, o protestantismo foi definido pelo conjunto de doutrinas confessado por cada organização. Mas em nossos dias, parte do impacto do movimento ecumênico tem sido a relativização dessas antigas confissões. Além disso, em algumas igrejas tenta-se alargar a base confessional nas linhas do pluralismo a fim de atingir a unidade da igreja visível.
Se você faz parte de uma igreja, por que você deve permanecer ali? Já por algum tempo, tenho percebido que as pessoas têm a tendência de trocar de denominação. A tendência é de ir para onde elas gostam do pastor, da pregação, da música ou de qualquer programa em particular. Muitas vezes, as pessoas se sentem confortáveis mudando de denominação em denominação ou de igreja local em igreja local. Infelizmente, raramente encontramos pessoas que prestam atenção no que a igreja acredita. Todavia, quando a igreja foi chamada à unidade no Novo Testamento, precisamos lembrar que o apóstolo Paulo falava de unidade nestes termos: um Senhor, uma fé e um batismo. Esta unidade não é algo meramente superficial em termos de ser uma organização unificada ou uma metodologia unificada, mas antes de tudo e mais importante, é uma confissão de fé unificada na pessoa e na obra de Cristo. Em segundo lugar, deve-se concordar com o conteúdo daquela confissão. Infelizmente, a unidade da igreja tem sido quebrada precisamente onde se esperaria encontrar unidade, a saber, unidade no evangelho apostólico.
Fonte: livro “O que é a igreja?” de R. C. Sproul (Questões Cruciais 16. No prelo pela Fiel).
R. C. Sproul 

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Salmo 22 - Rev. Cláudio Neves "O Salmo da Cruz"


Sermão 13.09.2015


Salmo 22 - O Salmo da Cruz - Rev. Cláudio Neves 
2º Sermão da Série "O Cristo Revelado nos Salmos"

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

SALMO 2 - O REINADO DO MESSIAS


Sermão 06.09.2015


Exposição do Salmo 2 - O Reinado do Messias.
Série "O Cristo Revelado nos Salmos" 

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

O CRISTO REVELADO NOS SALMOS - NOVA SÉRIE


Em Setembro estaremos realizando uma série de exposições nos salmos messiânicos, revelando assim a pessoa e obra de Cristo na poesia hebraica. Contamos com a sua presença! 
Domingo ás 18:00hs.


quarta-feira, 2 de setembro de 2015

O Evangelho que Aponta para a Eternidade - Steven J. Lawson

O século XVIII foi uma era de grandes pregadores, homens a quem Deus levantou para proclamar a sua Palavra e marcar a geração em que viviam. Um levantamento sobre o cristianismo moderno, com certeza, identificaria o maior pregador da Grã-Bretanha durante o período do reavivamento evangélico como sendo João Wesley, um dos fundadores do Metodismo. Semelhantemente, uma enquete atual de observadores dos primeiros avivamentos na América, sem dúvida, nomearia Jonathan Edwards, considerado por muitos como o maior pastor-teólogo da América, como principal pregador do Grande Avivamento nas colônias.
Porém, se voltássemos no tempo e avaliássemos aqueles que viviam durante o século XVIII, quer em Londres, Edimburgo, quer nos Estados Unidos, não há dúvida de que a resposta seria uma só. Na verdade, até mesmo João Wesley ou Jonathan Edwards certamente nomeariam o mesmo homem. O homem considerado pelos contemporâneos como maior pregador de seu tempo foi George Whitefield.
Como ganhador de almas, Whitefield viveu para glorificar a Jesus Cristo e chamar pecadores perdidos ao arrependimento e fé nele. O foco de seu ministério extraordinário foi a simples proclamação do evangelho e o apelo aos não convertidos para que entrassem pelo caminho estreito. Onde quer que estivesse — em uma igreja, em campo aberto, na praça de uma cidade, em um navio, numa casa — e com quem estivesse — quer fosse da realeza, carvoeiros simples, os mais cultos, os mais rudes — Whitefield, corajosamente, sempre estava exaltando a Cristo e chamando com fervor por seu veredicto. Ele tinha o propósito de não estar com ninguém por mais de quinze minutos sem confrontá-lo com as reivindicações de Cristo.
No coração do prolixo ministério de Whitefield estava a mensagem do evangelho. Ele se deleitava nas verdades da livre graça de Deus na expiação substitutiva de Cristo. O próprio coração de Whitefield fora cativado pelo evangelho enquanto ainda estudante em Oxford, e ele havia resolvido levar essa mesma mensagem transformadora de vida para as massas. Escolheu não esperar que os não conversos viessem a ele. Como um que vai atrás de uma ovelha perdida que se desviou do aprisco, Whitefield ardentemente buscava os perdidos, necessitados de Cristo. Era este o cerne de sua pregação. Em seu ministério evangelístico, ele continuamente apontava para a eternidade:
Apontando para a Eternidade
Whitefield ainda impressionava seus ouvintes quanto à certeza da eternidade que estava diante deles. Ele lhes falava com poderoso senso de Deus e pesado senso de eternidade. Pregava como se o juízo final, céu e inferno estivessem assomando o horizonte imediato. Em quase todo sermão, Whitefield afirmava que o dia da eternidade estava próximo. O Juiz está à porta, exclamou ele, pronto a pisar em cena. Essa espécie de pregação pressionando para a eternidade — tanto do céu quanto do inferno — caracterizava o impulso evangelístico de George Whitefield.
Whitefield falava do céu como gloriosa realidade, e lar futuro para onde todos os santos iriam. Ele proclamava: “No céu o iníquo cessará de perturbar-vos, e vossas almas cansadas gozarão descanso eterno; os seus dardos chamejantes não poderão mais vos alcançar nessas regiões de felicidade: Satanás nunca mais virá perturbar, incomodar ou acusar os filhos de Deus, quando o Senhor Jesus Cristo tiver fechado a porta.”38 Estar livre do pecado, na presença de Cristo, é a bênção suprema do céu; a grande separação acontecerá, removendo os crentes dos descrentes e os justos dos injustos.
Com palavras gráficas e voz arrebatadora, Whitefield tinha a capacidade de representar de maneira dramática os horrores do inferno. Seu linguajar vivaz na descrição do lago de fogo fazia com que as pessoas sentissem estar prestes a cair a qualquer momento dentro do abismo sem fundo. Choro, gritos e soluços podiam ser ouvidos enquanto Whitefield pregava a respeito do castigo dos ímpios em chamas. Em um sermão, Whitefield desafiou assim os seus ouvintes:
Pensai com frequência nas dores do inferno; considerai, se não seria melhor cortar a mão direita ou o pé, e arrancar um olho direito, se esses nos ofendem (ou fazem que nós pequemos) “ao invés de serdes lançados no inferno, onde não morre o verme e o fogo não se apaga.” Pensai em quantos milhares estão agora ali reservados, com espíritos condenados em cadeias de trevas para o juízo do grande dia. [...]  Pensais vós, que imaginam Jesus Cristo como sendo mestre severo; ou melhor, não pensais que eles dariam dez mil vezes, dez mil mundos, se apenas pudessem voltar novamente à vida, e tomar o jugo suave de Cristo sobre eles, não o fariam? Poderemos suportar o fogo eterno mais do que eles?... Como poderemos suportar a sentença irrevogável: “Afastai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o Diabo e seus anjos”?
Muitas eram as vezes em que Whitefield fazia perguntas desafiadoras a seus ouvintes, forçando-os a pensar aonde passariam a eternidade. Por suas próprias respostas, os que o escutavam, muitas vezes, condenavam a si mesmos.
Como podereis estar diante do tribunal de um Juiz que se ira e vinga do pecado, vendo tantos discursos que desprezastes, tantos ministros, que ansiavam e labutavam em prol da salvação de vossas preciosas e imortais almas, apresentadas como tantas testemunhas velozes contra vós? Será que bastará então alegar que só fostes ouvi-los por curiosidade, para passar o tempo ocioso, para admirar a oratória ou ridicularizar a simplicidade do pregador?
Nenhuma decisão por Cristo, Whitefield asseverava, poderia ser feita após nossa morte. Ele implorava: “Enquanto não forem vossos pecados arrependidos, estais em perigo de morte, e se morrerdes, perecereis para sempre. Não há esperança para qualquer que viva em seus pecados, a não ser de habitar com os diabos e espíritos condenados por toda a eternidade.”41 A não ser que as almas perdidas recebam a Cristo nesta vida, não haverá esperança para os condenados na eternidade de escapar da punição.
Eram tão poderosos os apelos de Whitefield em seus sermões que “os zombadores eram silenciados, e as fortalezas de Satanás eram derribadas”.42 Conta-se que em certa ocasião, em um clube de bebedeiras em Filadélfia, havia um menino que
costumava imitar as pessoas para seu divertimento. Persuadido pelos senhores, o rapaz (ainda que  relutantemente) levantou-se e imitou Whitefield, dizendo: “Digo a verdade em Cristo, eu não minto; se não vos arrependerdes, sereis todos condenados.” Essa palestra inesperada (citada de um dos sermões de Whitefield), desfez o clube, que nunca mais se  reuniu.
Embora estivesse fisicamente ausente, os apelos de Whitefield ressoavam pelos bares e vielas de todas as cidades onde pregava.
A mensagem alarmante para o auditório de Whitefield era que, se não cressem em Cristo, as suas almas perdidas com certeza entrariam em uma eternidade da ira de Deus: “Ó pecador! Imploro-te a arrepender-te, para que a ira de Deus não se acenda! Que os fogos da eternidade não sejam acesos contra vós!”44 Seu fervor o levava a forçar as realidades do céu e do inferno sobre o coração de seus ouvintes. Whitefield sempre vivia à luz da eternidade, e pregava como quem sentisse o dia se aproximando cada vez mais.
O zelo evangelístico de George Whitefield fluía de seu amor pelo glorioso evangelho da graça. Foi esse amor e essa dedicação suprema que o impeliam a procurar os perdidos, revelar o pecado, exaltar a cruz, convocar a vontade, e apontar para a eternidade. De teologia totalmente calvinista, este fervoroso evangelista apresentava a única mensagem salvadora que existe para os pecadores culpados. Ele se deleitava em chamá-los para a fé em Cristo e deixar os resultados para Deus, pois somente ele pode salvar.
Arnold Dallimore escreveu: “Seu ministério apresenta exemplo sem paralelo da declaração da soberania de Deus, juntamente com o livre oferecimento da salvação a todos quantos cressem em Cristo.” Whitefield oferece exemplo ímpar de quem tinha em uma mão as doutrinas da graça e na outra mão o livre oferecimento do evangelho. Saber isso a respeito de Whitefield é conhecer o homem, e conhecer o homem é ter um mui excelente exemplo a seguir.
Carecemos de semelhante coragem, como de pedra, em nossa mensagem do evangelho. Precisamos voltar para Paulo, para Agostinho, Lutero, Calvino e os Reformadores, para os Puritanos, e enfim, para Whitefield. Precisamos novamente de arautos como estes, que não se envergonhavam de pregar sobre pecado e juízo, céu e inferno, arrependimento e fé, justiça e santidade. Temos de pregar a necessidade da transformação radical de vida, que só provém da realidade do novo nascimento. Que Deus levante em nossos dias uma multidão de vozes de clarim, que proclamem esta mesma mensagem do evangelho.
Fonte: Trecho do livro O Zelo Evangelístico de George Whitefield, lançamento da Editora Fiel de Abril de 2014, do autor Steven Lawson.
Steven Lawson


Vivendo para Glória de Deus a Caminho da Eternidade


Sermão 30.08.2015.


 Assista agora o 5º Sermão da Série: "Vivendo para a Glória de Deus" - Uma exposição de 2 Timóteo 4:1-22, sobre o tema: "Vivendo para Glória de Deus a Caminho da Eternidade"

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Enfrentando o Fim dos Tempos para a Glória de Deus



Sermão 23.08.2015.


Assista agora o 4º Sermão da Série: "Vivendo para a Glória de Deus" - Uma exposição de 2 Timóteo 3:1-17, sobre o tema: "Enfrentando o Fim dos Tempos para a Glória de Deus". 




sábado, 22 de agosto de 2015

O Amor Revelado no Evangelho - Jonathan Edwards

No evangelho revela-se o amor que Cristo tem para com o Pai, bem assim os maravilhosos frutos desse amor, particularmente em fazer ele tão grandes coisas, e em padecer tantas coisas em obediência à vontade do Pai e para a honra de sua justiça, lei e autoridade, como o grande governante moral. Ali se revela como o Pai e o Filho são um em amor, para que nos deixemos induzir, em semelhante espírito, a ser um com eles e uns com os outros, em concordância com a oração de Cristo em João 17.21-23: “A fim de que todos sejam um; e como és tu, ó Pai, em mim e eu em ti, também sejam eles em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste. Eu lhes tenho transmitido a glória que me tens dado, para que sejam um, como nós o somos; eu neles e tu em mim, a fim de que sejam aperfeiçoados na unidade, para que o mundo conheça que tu me enviaste, e os amaste como também amaste a mim”.
O evangelho nos declara ainda que o amor de Deus era eterno, e nos lembra que ele amou aos que são redimidos por Cristo desde a fundação do mundo; e que ele os deu ao Filho; e que o Filho os amou como seus. Ele revela ainda o maravilhoso amor do Pai e do Filho, respectivamente, para com os santos que estão na glória – que Cristo não só os amou enquanto no mundo, mas que os amou até o fim (Jo 13.1). E todo este amor é expresso como nos sendo outorgado enquanto errantes, proscritos, indignos, culpados e inclusive inimigos. Este é o amor que jamais foi conhecido em outro lugar, ou concebido: “Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a própria vida em favor de seus amigos” (Jo 15.13); “Dificilmente alguém morreria por um justo; pois poderá ser que pelo bom alguém se anime a morrer. Mas Deus prova seu próprio amor para conosco, pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores. Porque se nós, quando inimigos, fomos reconciliados com Deus mediante a morte de seu Filho, muito mais estando já reconciliados, seremos salvos por sua vida” (Rm 5.7-10).
Deus e Cristo aparecem na revelação evangélica como estando vestidos com amor; como estando assentados, por assim dizer, em um trono de misericórdia e graça; um trono de amor, cercado dos mais suaves raios de amor. O amor é a luz e glória que circundam o trono em que Deus se acha sentado. Isto parece estar implícito na visão de Deus na ilha de Patmos: “Esse que se acha assentado é semelhante no aspecto a pedra de jaspe e de sardônio, e ao redor do trono há um arco-íris semelhante, no aspecto, a esmeralda” (Ap 4.3); isto é, ao redor do trono no qual Deus estava sentado. De modo que Deus lhe apareceu enquanto estava sentado em seu trono, envolto por um círculo de uma luz excessivamente suave e agradável, como as belas cores do arco-íris, e como uma esmeralda, que é uma pedra preciosa de cores excessivamente agradáveis e belas – assim representando que a luz e glória com que Deus, no evangelho, aparece cercado é especialmente a glória de seu amor e de sua graça pactual, porquanto o arco-íris foi dado a Noé como um emblema de ambas. Portanto, é evidente que este espírito, sim, o espírito de amor, é o espírito sobre o qual a revelação evangélica especialmente expõe os motivos e os estímulos; e este é especial e eminentemente o espírito cristão – o espírito correto do evangelho.
Ademais, tudo o que é salvífico e distintivo no verdadeiro cristão está resumidamente compreendido no amor, assim, os que professam o cristianismo nisto podem ser ensinados quanto às suas experiências, sejam elas ou não experiências realmente cristãs. Caso o sejam, então o amor é a suma e substância de tais experiências. Se as pessoas possuem a verdadeira luz celestial, que em suas almas ela não seja uma luz sem calor. O conhecimento e o amor divinos vão sempre juntos. Uma visão espiritual das coisas divinas sempre estimula o amor na alma, e atrai o amor ao coração, em cada objeto próprio de ser amado. As genuínas descobertas do caráter divino nos dispõem a amar a Deus como o bem supremo; elas unem o coração a Cristo, em amor; inclinam a alma a transbordar de amor para com o povo de Deus e para com toda a humanidade. Quando as pessoas possuem uma verdadeira descoberta da excelência e suficiência de Cristo, o efeito é o amor. Quando experimentam uma convicção correta da verdade do evangelho, tal convicção é acompanhada do amor. Tais pessoas amam a Cristo, o Filho do Deus vivo. Quando se visualiza a veracidade das gloriosas doutrinas e promessas do evangelho, estas doutrinas e promessas se assemelham a tantos acordes que emanam do coração e o impulsionam a amar a Deus e a Cristo. Quando as pessoas experimentam uma genuína confiança e segurança em Cristo, elas confiam nele com amor, e assim sucede com a deleitosa e doce aquiescência da alma. A esposa se pôs assentada sob a sombra de Cristo com profundo deleite, e descansou suavemente sob sua proteção, porque ela o amava (Ct 2.3). Quando as pessoas experimentam o verdadeiro conforto e alegria espiritual, essa alegria provém da fé e do amor. Não se regozijam em si mesmas, mas em Deus que é sua insondável alegria.
Fonte: trecho do livro "A Caridade e Seus Frutos" de Jonathan Edwards, lançamento de Junho/2015 da Editora Fiel.
Jonathan Edwards


GRATIDÃO A DEUS - Rev. Cláudio e Família





Hoje é dia 22 de Agosto de 2015, aniversário da minha pequena Débora. Resolvi publicar esse vídeo em gratidão a Deus por essa família abençoada. Pollyanna, Débora e Ester presentes de Deus em minha vida. Que Deus vos abençoe!

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Não Desperdice o seu Tempo, Viva para a Glória de Deus.


Sermão 16.08.2015


Assista agora o 3º Sermão da Série: "Vivendo para a Glória de Deus" - Uma exposição de 2 Timóteo 2:14-26, sobre o tema: "Não Desperdice o seu Tempo, Viva para a Glória de Deus". 

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Os Desafios de uma Vida para a Glória de Deus.



Sermão 02.08.2015


Assista agora o 1º Sermão da Série: "Vivendo para a Glória de Deus" - Exposição em 2 Timóteo 1:1-14 sobre o tema: "Os Desafios de uma Vida para a Glória de Deus", do Rev. Cláudio Neves. 

sábado, 15 de agosto de 2015

A Igreja Visível e a Invisível - R. C. Sproul

Você já ouviu falar do termo a igreja invisível? A ideia da invisibilidade da igreja foi primeiramente desenvolvida em profundidade por Santo Agostinho. Ele fez uma distinção entre a igreja invisível e a igreja visível. Essa distinção de Agostinho tem sido frequentemente mal compreendida. O que ele quis dizer por igreja visível foi a igreja enquanto uma instituição que enxergamos visivelmente no mundo. Ela tem uma lista de membros em seu rol, e podemos identificá-los.
Antes de considerarmos a igreja invisível, deixe-me fazer uma pergunta: você precisa ir à igreja para ser um cristão? A frequência na igreja, se você for fisicamente capaz, é um requisito para ir ao céu? Em um sentido bastante técnico, a resposta é não. No entanto, devemos nos lembrar de algumas coisas. Cristo ordena que seu povo não abandone a comunhão na congregação (Hebreus 10.25). Quando Deus constituiu o povo de Israel, ele os organizou em uma nação visível e colocou sobre eles uma obrigação solene e sagrada de se congregarem na adoração pública diante dele. Se uma pessoa está em Cristo, ela é chamada a participar da koinonia — a comunhão com outros cristãos e a adoração a Deus de acordo com os preceitos de Cristo. Se uma pessoa sabe de todas essas coisas e, de vontade própria, com persistência, recusa-se a unir-se a elas, isso não levantaria sérias dúvidas sobre a realidade da conversão daquela pessoa? Talvez uma pessoa possa ser um novo cristão e tomar essa posição, mas acho muito improvável.
Alguns de nós podemos estar nos enganando em termos de nossa própria conversão. Podemos afirmar sermos cristãos, mas se amamos a Cristo, como podemos desprezar sua noiva? Como podemos, consistente e persistentemente, nos afastarmos daquilo ao qual ele nos chamou para nos unirmos — sua igreja visível? Eu ofereço uma advertência solene àqueles que estão fazendo isso. Você pode, na verdade, estar se enganando sobre o estado de sua alma.
Algumas vezes, a igreja invisível é erroneamente tomada como algo antitético à igreja visível, algo que está fora ou apartado dela. Agostinho não pensou nessas categorias. Agostinho disse que a igreja invisível é encontrada substancialmente dentro da igreja visível. Imagine dois círculos. No primeiro círculo está escrito “a igreja visível”. Essa é a igreja exterior, humanamente percebida, a instituição como a conhecemos. A igreja invisível, como outro círculo, existe substancialmente dentro do círculo da igreja visível. Pode haver algumas poucas pessoas na igreja invisível que não são membros da igreja visível, mas elas são poucas e distantes entre si.
Por que Agostinho fala de uma igreja invisível? Ele o faz para ser fiel ao ensino de Jesus no Novo Testamento. Agostinho ensinou que a igreja é um corpus permixtum. O que isso significa? Nós sabemos o que corpus significa. É um corpo. Corpus Christi significa o quê? O corpo de Cristo. Corporação é uma organização de pessoas. Corpus permixtum significa que a igreja é um corpo misto.
Dentro dos limites físicos da igreja institucionalizada há pessoas que são verdadeiramente crentes, mas também há incrédulos dentro da igreja visível. Eles estão na igreja, mas não estão em Cristo porque fizeram uma falsa profissão de fé. Jesus disse de alguns de seus contemporâneos, “Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim” (Mateus 15.8). Jesus reconheceu que havia pessoas dentro de Israel que não eram verdadeiros crentes. Paulo disse algo similar: “E não pensemos que a palavra de Deus haja falhado, porque nem todos os de Israel são, de fato, israelitas” (Romanos 9.6). Esses judeus praticavam todos os rituais e eram parte da comunidade visível. Eles participavam de todas as atividades, mas ainda assim eram alheios e estranhos às coisas de Deus.
No Novo Testamento, a metáfora que Jesus usa a esse respeito é a metáfora do joio e do trigo. Joio é uma erva daninha. É uma metáfora simples naquele contexto de agricultura. A fim de obter a produtividade máxima de uma lavoura, é preciso acabar com o joio porque ele parece crescer mais facilmente que a produção.
Jesus usa essa metáfora para dar uma advertência à igreja de que, por um lado, a igreja deve se engajar na disciplina, de forma que as ervas daninhas que ameaçam destruir a pureza da igreja sejam removidas. Ele também nos manda tomar muito cuidado ao exercer a disciplina na igreja, para que, em nosso zelo em purificar a igreja, não arranquemos o trigo junto do joio.
Deus sonda os corações, e o que sempre permanece invisível para mim é a alma de outra pessoa. Eu posso ouvir sua confissão de fé. Posso observar sua vida. Mas não sei o que se passa nos átrios mais profundos do seu coração. Não posso ver sua alma. Não posso ler sua mente. Mas Deus pode ler sua mente, e Deus sabe exatamente qual o estado de sua alma em qualquer dado momento. O que permanece invisível para mim é visível para Deus. Esta é uma distinção com relação à nossa percepção limitada.
Quem está na igreja invisível? De acordo com Agostinho, todos aqueles que são crentes verdadeiros. E ele se referia, claramente, aos eleitos, porque todos os eleitos, de acordo com Agostinho, chegam à fé verdadeira no final. E todos aqueles que chegam à fé verdadeira foram contados entre os eleitos. Então, quando ele falava da igreja invisível, ele estava falando sobre os eleitos, aqueles que verdadeiramente estão em Cristo e são verdadeiros filhos de Deus.
João Calvino disse que não devemos pensar na igreja invisível como algo imaginário ou de uma dimensão paralela. Seguindo o pensamento de Agostinho, Calvino insistiu que a igreja invisível existe substancialmente dentro da igreja visível. Ele disse que a principal tarefa da igreja invisível é tornar a igreja invisível visível.
O que ele quis dizer com isso? Calvino estava se referindo à ascensão de Jesus e à última pergunta que os discípulos lhe fizeram antes de ele deixar este mundo: “Senhor, será este o tempo em que restaures o reino a Israel”? Jesus disse: Não vos compete conhecer tempos ou épocas que o Pai reservou pela sua exclusiva autoridade; mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da terra” (Atos 1.7–8).
Essa afirmação feita por Jesus é frequentemente confundida por causa de nosso jargão cristão. Se alguém pergunta a um cristão, “O que significa testemunhar?” a resposta mais comum é “falar de Cristo para alguém”. Isso não é inteiramente falso. Há um sentido em que o evangelismo é uma forma de testemunho. Mas não é a única forma. O propósito de testemunhar é tornar manifesto algo que estava escondido. Calvino disse que é tarefa da igreja tornar visível o reino invisível. Nós fazemos isso, em primeiro lugar, pela proclamação do evangelho — por evangelismo. Mas também podemos fazê-lo modelando o reino de Deus, demonstrando justiça no mundo, demonstrando misericórdia para o mundo, e mostrando ao mundo como deve ser o reino de Deus. Isso significa que a igreja deve personificar e encarnar a vida do Espírito de Deus em tudo quanto ela fizer, para que suas boas obras não estejam escondidas sob o alqueire, mas claramente à vista. Devemos dar testemunho da presença de Cristo e do seu reino para o mundo.
Existe um perigo quando utilizamos os termos visível invisível. Algumas pessoas pensam que se elas estão na igreja invisível, isso significa que elas podem ser como agentes secretos cristãos. Mas nós sabemos que o mandamento do Novo Testamento é para que demos testemunho de Cristo, mostremos adiante a luz do evangelho e tornemos seu reino visível. E é isso que a igreja deve fazer. A igreja em qualquer ambiente, qualquer localidade, quaisquer gerações sempre é mais ou menos visível e mais ou menos autêntica. Mas mesmo igrejas podem perder sua lamparina e deixar de ser igreja. Igrejas podem se tornar apóstatas. Denominações podem se tornar apóstatas. Congregações inteiras podem abandonar a igreja invisível e não mais ser uma igreja verdadeira.
Você é um membro da igreja invisível? A igreja invisível é uma igreja que sempre desfruta de unidade porque verdadeiramente somos um em Cristo. O ponto de unificação da igreja invisível, aquilo que unifica e transcende as barreiras de igreja e linhas denominacionais, é o nosso enxerto em Cristo. Todos que estão em Cristo e todos em quem Cristo está são membros de sua igreja invisível. Aquela unidade já está presente, e nada pode destruí-la. Isso não significa que podemos descansar nisto. Não podemos simplesmente nos satisfazer com a unidade da igreja invisível. Ainda deveríamos estar trabalhando o máximo possível para uma verdadeira unidade da igreja visível.
Fonte: Trecho do livro "O que é a Igreja?" de R. C. Sproul.

R. C. Sproul 

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

terça-feira, 23 de junho de 2015

2ª FESTA DA COLHEITA


UMA NOITE ESPECIAL DE COMUNHÃO.
VENHA E PARTICIPE!

domingo, 14 de junho de 2015

Nova Série: O Verdadeiro Culto a Deus


Essa série de sermões tem como objetivo expor o livro do “Profeta Malaquias” apresentando princípios bíblicos relacionados ao verdadeiro culto a Deus.

Em nossos dias, assim como na época de Malaquias, o culto a Deus tem sido desvirtuado das mais diversas maneiras. Embora muitos pensem que nada temos a aprender com o Antigo Testamento em matéria de culto, estão enganados. Ao levantarem sua voz contra o povo de Deus de sua época, por haver desvirtuado o culto ao Senhor, os profetas usaram como argumentos princípios relativos à adoração a Deus que certamente se aplicam ao povo de Deus de todas as épocas.

Contamos com a sua presença!
Domingo ás 18:00hs. 

sábado, 2 de maio de 2015

MÊS DA FAMÍLIA - IPMANDACARU

quinta-feira, 30 de abril de 2015

MÊS DA FAMÍLIA




Exposições em Efésios 5:18 - 6:4. 

EM BREVE PROGRAMAÇÃO COMPLETA!

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Nova Série: Redescobrindo o Evangelho

Charles Spurgeon disse: "Se existe algo amargamente odiado é o puro evangelho da graça de Deus" . Vivemos no meio de "Cristãos" que preferem mensagens de homens, do que a mensagem do Evangelho. Esse é um dos motivos pelo qual a igreja evangélica brasileira em sua grande maioria tem se esquecido do verdadeiro evangelho. Nessa nova série de sermões você será desafiado a redescobrir o evangelho. 


Domingos de Abril, ás 18:00hs. 
Venha e participe!