quinta-feira, 22 de outubro de 2015
A Singularidade do Amor Cristão - Jonathan Edwards
A singularidade da caridade cristã, ou do amor cristão, se evidencia pelas seguintes marcas:
Primeira, toda caridade e amor cristãos procede do mesmo Espírito que influencia o coração. O genuíno amor cristão se origina do sopro do mesmo Espírito, seja para com Deus, seja para com o homem. O Espírito de Deus é o Espírito de amor, e quando ele adentra a alma, o amor também entra aí com ele. Deus é amor, e aquele que tem Deus habitando em si por meio de seu Espírito, também terá o amor habitando em si. A natureza do Espírito Santo é amor; e é por comunicar-se, em sua própria natureza, aos santos, que seus corações se enchem da caridade divina. Disto descobrimos que os santos são participantes da natureza divina, e o amor cristão é chamado de “amor do Espírito” (Rm 15.30) e “amor no Espírito” (Cl 1.8), e as próprias entranhas do amor e misericórdia parecem significar a mesma coisa que a comunhão do Espírito (Fp 2.1). É também o mesmo Espírito que infunde amor para com Deus (Rm 5.5); é pela habitação desse mesmo Espírito que a alma permanece no amor para com Deus e para com o homem (1Jo 3.23, 24; 4.12, 13).
Segunda, o amor cristão, seja para com Deus, seja para com o homem, é operado no coração pela mesma obra do Espírito. Não há duas obras do Espírito de Deus, uma a infundir um espírito de amor para com Deus, e a outra a infundir um espírito de amor para com os homens; mas, ao produzir uma, o Espírito produz também a outra. Na obra de conversão, o Espírito Santo renova o coração, dando-lhe uma disposição divina (Ef 4.23); assim, é uma e a mesma disposição divina que é operada no coração, a qual se manifesta em amor, seja para com Deus, seja para com o homem.
Terceira, quando Deus e o homem são amados com um amor realmente cristão, ambos são amados com base nos mesmos motivos. Quando Deus é amado de uma maneira correta, ele é amado por sua excelência e pela beleza de sua natureza, especialmente pela santidade de sua natureza; e é proveniente do mesmo motivo que os santos são amados – por causa da santidade. Todas as coisas que são amadas com um amor realmente cristão são amadas com base no mesmo respeito para com Deus. Amor para com Deus é o fundamento do gracioso amor para com os homens; e os homens são amados, ou porque em algum aspecto se assemelham a Deus, na posse de sua natureza e imagem espiritual, ou em razão da relação que mantêm com ele na capacidade de seus filhos ou criaturas – como aqueles que são abençoados por ele, ou a quem sua misericórdia é oferecida, ou de alguma outra maneira por consideração a ele. Observe-se apenas que, embora o amor cristão seja um em seu princípio, contudo é distinguido e denominado com respeito a seus objetos e os modos de seu exercício e seus graus.
Além dessas marcas, a caridade será também uma evidência da verdadeira fé salvadora, que distingue os verdadeiros cristãos. Isso pode ser visto de duas maneiras:
Primeira, que o amor disporá o coração a todos os atos próprios de respeito, seja para com Deus, seja para com o homem. Isto é evidente, visto que um genuíno respeito, seja para com Deus, ou seja para com o homem, consiste em amor. Se uma pessoa ama a Deus sinceramente, este amor a disporá a render-lhe todo o respeito próprio; e os homens não carecem de nenhum outro incentivo para mostrar, uns aos outros, todo o devido respeito, senão do amor. O amor para com Deus disporá uma pessoa a honrá-lo, a cultuá-lo e a adorá-lo, e sinceramente reconhecer sua grandeza, glória e domínio. E assim o amor disporá a todos os atos de obediência a Deus; pois o servo que ama a seu senhor, e o súdito que ama a seu soberano, se disporão à sujeição e obediência próprias. O amor disporá o cristão a portar-se para com Deus como um filho para com seu pai; em meio às dificuldades, recorre ao pai por auxílio e põe nele toda sua confiança; como também é natural, em caso de necessidade ou aflição, recorrermos a quem amamos em busca de compaixão e socorro. Ele nos levará também a dar crédito à sua palavra e a depositar nele nossa confiança; pois não podemos suspeitar da veracidade daqueles com quem mantemos plena amizade. Ele nos disporá a louvar a Deus pelas bênçãos que dele recebemos, assim como nos dispomos à gratidão por qualquer bondade que recebemos de nossos semelhantes a quem amamos. O amor ainda disporá nossos corações à submissão à vontade de Deus, pois somos mais dispostos a fazer a vontade dos que amamos do que a dos outros. Naturalmente, desejamos satisfazer e ser agradáveis aos que amamos; e a verdadeira afeição e amor para com Deus disporão o coração ao reconhecimento do direito que Deus tem de governar, e que ele é digno de fazê-lo, e assim esse coração se disporá à submissão. O amor para com Deus nos disporá a andar humildemente com ele, pois aquele que ama a Deus se disporá a reconhecer a vasta distância entre Deus e ele. A essa pessoa será agradável exaltar a Deus, a pô-lo acima de tudo mais e a encurvar-se diante dele. O verdadeiro cristão se deleita em exaltar a Deus com seu próprio aviltamento, porquanto ele o ama. Ele está pronto a reconhecer que Deus é digno disto, e se deleita em lançar-se ao pó diante do Altíssimo, movido de sincero amor por ele.
E assim uma devida consideração da natureza do amor mostrará que ele dispõe os homens a todos os seus deveres para com seus semelhantes. Se os homens nutrem um sincero amor por seus semelhantes, esse amor os disporá a todos os atos de justiça a esses semelhantes – pois o amor e amizade reais nos disporão a dar sempre aos que amamos o que lhes é devido e jamais agir errado com eles: “O amor não pratica o mal contra o próximo; de sorte que o cumprimento da lei é o amor” (Rm 13.10). O mesmo amor nos disporá a sermos verdadeiros para com nossos semelhantes e tenderá a impedir toda mentira, fraude e engano. Os homens não se dispõem à fraude e traição contra os que amam; pois tratar assim os homens equivale a tratá-los como inimigos; o amor, porém, destrói a inimizade. Assim o apóstolo faz uso da unidade que deve haver entre os cristãos, mediante o argumento de induzi-los à verdade que deve haver entre uma pessoa e outra (Ef 4.25). O amor nos disporá a andarmos humildemente entre os homens; pois um amor real e genuíno nos inclinará a nutrirmos pensamentos elevados acerca dos outros e a pensarmos que eles são melhores que nós. Ele disporá os homens a se honrarem reciprocamente, pois todos são naturalmente inclinados a pensar de modo sublime sobre aqueles a quem amam e a render-lhes honra; de modo que, pelo amor, se cumprem aqueles preceitos: “Tratai a todos com honra, amai aos irmãos” (1Pe 2.17); “Nada façais por partidarismo, ou vanglória, mas por humildade, considerando cada um os outros superiores a si mesmo” (Fp 2.3). O amor disporá ao contentamento na esfera em que Deus nos colocou, sem que cobicemos as coisas que nosso semelhante possui, ou o invejemos em razão de algo bom que porventura possua. Ele disporá os homens à mansidão e brandura em sua conduta para com seus semelhantes, e a não tratá-los com raiva ou violência, ou com um espírito acalorado, e sim com moderação, serenidade e mansidão. Ele refreará e restringirá todo espírito de amargura; pois no amor não existe amargura, e sim uma disposição e afeto da alma gentil e doce. Ele prevenirá as rixas e contendas, e disporá os homens a um comportamento pacifista, bem como a perdoar o tratamento injurioso recebido de outros; como lemos em Provérbios: “O ódio excita contendas, mas o amor cobre todas as transgressões” (Pv 10.12).
O amor disporá os homens a todos os atos de misericórdia para com seus semelhantes, quando estiverem enfrentando alguma aflição ou calamidade, pois somos naturalmente dispostos à piedade para com os que amamos, quando são afligidos. Ele disporá os homens a fazer doação aos pobres, a carregar as cargas alheias e a chorar com os que choram, tanto quanto a alegrar-se com os que se alegram. Ele disporá os homens aos deveres que devem uns para com os outros em seus diversos lugares e relações. Ele disporá um povo a todos os deveres para com seus governantes e a dar-lhes toda aquela honra e submissão que são parte de seu dever para com eles. E disporá os governantes a liderar o povo sobre o qual são postos, com justiça, seriedade e fidelidade, buscando seu bem, e não por algum capricho pessoal. Ele disporá um povo a todo dever legítimo para com seus pastores, a atentar bem para seus conselhos e instruções, e a submeter-se a eles na casa de Deus, a sustentá-los com simpatia e a orar por eles, como aqueles por cujas almas eles velam; e disporá os ministros a buscarem fiel e incessantemente o bem das almas de seu povo, a velar por eles como quem tem de prestar conta. O amor disporá ao bom relacionamento entre superiores e inferiores: disporá os filhos a honrarem seus pais, os empregados a serem obedientes a seus patrões, não porque estejam olhando, mas com um coração singelo e sincero; e disporá os patrões ao exercício da brandura e bondade para com seus empregados.
Assim o amor deve dispor a todos os deveres, seja para com Deus, seja para com o homem. E se ele assim dispõe a todos os deveres, então, segue-se que ele é a raiz, a fonte e, por assim dizer, a abrangência de todas as virtudes. Ele é um princípio que, se bem implantado no coração, sozinho será suficiente para produzir toda a boa prática; e toda a disposição correta para com Deus e para com o homem se acha sumariada nele e provém dele como o fruto da árvore, ou a corrente da fonte.
Segunda, a razão ensina que são infundadas e hipócritas todas as pretensas realizações ou virtudes que porventura existam sem o amor. Se não houver amor no que o homem faz, então em sua conduta não há verdadeiro respeito para com Deus ou para com os homens; se é assim, então, certamente não existe sinceridade. Sem o legítimo respeito para com Deus, a religião equivale a nada. A própria noção de religião entre a raça humana é que ela é o exercício e expressão das criaturas desse respeito para com o Criador. Mas se não houver nenhum respeito ou amor genuíno, então não há no homem religião real, senão que ela é irreal e fútil. Assim, se a fé de uma pessoa for de tal espécie que não haja nela verdadeiro respeito para com Deus, a razão ensina que ela deve ser sem efeito; pois se nela não houver amor para com Deus, então não pode haver verdadeiro respeito para com ele. Disto transparece que o amor está sempre contido numa fé genuína e viva, e que ele é a vida e a alma genuínas e legítimas da fé, pois sem o amor a fé é tão morta quanto está morto o corpo sem a sua alma; sendo o amor o que distingue uma fé viva de todas as demais. Mais adiante falaremos disto com mais detalhes. Sem amor para com Deus, reiterando, não pode haver uma genuína honra para com ele. Uma pessoa jamais será cordial na honra que parece render àquele a quem não ama; de modo que, sem amor, a honra ou culto que alguém aparenta prestar é hipócrita. E assim a razão ensina que não há sinceridade na obediência que é rendida sem amor; pois, se não houver amor, nada do que é feito é espontâneo e livre, mas tudo parece ser forçado. Assim, sem amor, não pode haver submissão sincera à vontade de Deus, e não pode haver confiança e entrega real e cordial a ele. Aquele que não ama a Deus jamais confiará nele; jamais vai querer, com verdadeiro anelo da alma, lançar-se nas mãos de Deus, ou nos braços de sua misericórdia.
Assim, por mais que haja nos homens um bom relacionamento com seus semelhantes, contudo a razão ensina que o mesmo é totalmente inaceitável e fútil, se ao mesmo tempo não houver respeito real no coração para com esses semelhantes, se a conduta externa não for inspirada pelo amor íntimo. E destas duas coisas tomadas juntas, a saber, que o amor é de tal natureza que produzirá todas as virtudes, e ele dispõe ao cumprimento de todos os deveres para com Deus e para com os homens, e que sem ele não pode haver virtude sincera, e nenhum dever cumprido com propriedade, a veracidade da doutrina consiste em que toda verdadeira e distintiva virtude e graça cristãs podem ser sumariadas na caridade.
Fonte: trecho do livro "A Caridade e Seus Frutos de Jonathan Edwards", lançamento de Junho/2015 da Editora Fiel.
![]() |
| Jonathan Edwards |
sábado, 10 de outubro de 2015
Por que no Domingo? - O. Palmer Robertson
Essa pergunta pode ser embaraçadora. Por que adoramos a Deus no domingo? A Bíblia não diz que o sétimo dia é o tempo consagrado a Ele por seu povo? Onde as Escrituras dizem que o crente deve santificar o primeiro e não o sétimo dia da semana? Essas perguntas são legítimas, temos de admitir; também são perguntas que exigem resposta. Portanto, o que podemos dizer sobre este assunto?
Criação e Redenção
Comecemos considerando as evidências do Antigo Testamento. Neste, o sábado não era apenas um dia especial, que deveria ser reconhecido uma vez por semana. Tinha um significado mais rico. Apontava para o futuro descanso de redenção que Deus realizaria em favor de seu povo. O sábado não era apenas um lembrete do descanso que ocorreu após os seis dias de criação. Também era celebrado porque Deus libertara seu povo da escravidão no Egito.
Deus repetiu o mandamento a Moisés depois que Israel peregrinou no deserto durante quarenta anos, pouco antes de entrarem na terra da promessa. Quando Deus repetiu a lei que havia sido entregue no Sinai, os Dez Mandamentos foram os mesmos. Nenhum deles foi alterado. Mas o motivo para a lei referente ao sábado era diferente. No Sinai, o povo de Deus foi instruído a observar o sábado, por- que Deus havia descansado após os seis dias de criação (Êx 20.11; cf. Gn 2.3). Mas na Transjordânia Deus ordenhou que Israel guardasse o sábado tendo em vista a sua redenção do Egito (Dt 5.5). Não somente por causa da criação, mas também por causa da redenção, o povo de Deus deveria descansar um dia em sete.
Sabemos que a libertação de Israel da escravidão no Egito, por intermédio do cordeiro pascal, era apenas uma sombra, uma profecia de uma libertação que ocorreria através da morte sacrificial e da poderosa ressurreição de Jesus Cristo. Os santos do Antigo Testamento olhavam adiante, para a vinda do futuro descanso de seus fardos de pecados, assim como em cada semana olhavam para seu descanso do trabalho, no sábado. Portanto, quando Israel entrou na terra do seu “descanso”, sob a liderança de Josué, marcharam ao redor de Jericó por sete dias. E, no sétimo dia, marcharam sete vezes ao redor das muralhas da cidade. Após haverem completado a marcha pela sétima vez, no sétimo dia, as muralhas ruíram, e o povo de Deus começou a entrar em seu “descanso”, na terra de Canaã. A tomada de Jericó forneceu uma ilustração do povo de Deus entrando em “descanso sabático”.
De maneira semelhante, os setenta anos do cativeiro de Israel indicavam o descanso da redenção que viria à terra prometida. Durante os setenta anos do cativeiro de Israel na Babilônia, a terra estava se agradando “dos seus sábados” (2 Cr 36.21).
Essas experiências do Antigo Testamento demonstraram que o povo de Deus estava olhando para o “descanso”, a redenção que seria realizada pelo Messias, no futuro. Trabalhavam seis dias da semana aguardando o “descanso” que no futuro desfrutariam. Pensavam na terra da promessa como o lugar onde eles entrariam no “descanso” de todos os fardos de sua vida.
Uma Nova Perspectiva
Mas agora a redenção já se realizou. Jesus veio para cumprir a profecia. Por meio de sua morte e ressurreição, trouxe seu povo ao seu “descanso” da redenção. Nós olhamos para trás, para a salvação consumada por Cristo. “Está consumado” foi o clamor de Cristo na cruz, e, por isso, sabemos que tudo foi realizado para libertar-nos do pecado, da morte e de todos os males deste mundo.
Por conseguinte, o crente possui uma nova perspectiva sobre o descanso da redenção. A ressurreição de Cristo foi um acontecimento tão significativo quanto a criação do mundo. Por meio de sua ressurreição, a nova ordem de universo veio à existência. Uma nova maneira de viver passou a existir. A pedra foi rolada do sepulcro de Jesus a fim de permitir que os discípulos entrassem, não para que Jesus saísse! Por causa de sua nova forma de existência no corpo da ressurreição, Ele podia entrar e sair de cômodos fechados, sem necessidade de abrir as portas.
A Ressurreição de Cristo
Não deveria nos levar a ficar admirados o fato que os discípulos seguissem uma nova ordem em seus padrões de adoração e serviço para Deus. Eles começaram a se- mana reunindo-se com o Cristo ressurreto. Iniciavam a semana com uma celebração da redenção que fora realizada por Cristo. Considere atentamente as seguintes evidências de que a redenção realizada por Cristo determinou o dia da adoração.
1. Jesus Cristo ressuscitou no primeiro dia da semana (Mt 28.1). Ele entrou no “descanso” das obras não em um dia de sábado (o sétimo dia), e sim no domingo (o primeiro dia da semana). Visto que Jesus entrou em seu descanso no primeiro dia da semana, Ele nos encoraja a iniciar a semana “descansando” na confiança de que Ele suprirá, com apenas seis dias de trabalho, todas as nossas necessidades para os sete dias da semana.
2. Jesus apareceu aos seus discípulos reunidos na primeiro dia da semana, bem como a Maria e aos dois discípulos na estrada de Emaús (Jo 20.10,14,19; Lc 24.13). Por meio dessas aparições, no primeiro dia da sema- na, a ressurreição do Senhor estabeleceu um padrão para as reuniões dos discípulos. Esperavam ter comunhão com Ele no dia de sua ressurreição, que é o primeiro dia da se- mana.
3. Uma semana depois, Jesus apareceu novamente aos discípulos reunidos no primeiro dia da semana, sem estar presente nessa ocasião o duvidoso Tomé (Jo 20.26). Um novo padrão de reunir-se para adorar o Senhor estava emergindo. O povo de Deus na nova aliança estava criando o hábito de reunir-se no primeiro dia da semana, o dia da ressurreição de Cristo. Jesus honrou essas reuniões, ao aparecer aos discípulos nessas ocasiões e fortalecer sua fé no Senhor ressurreto.
4. O Senhor ressuscitado derramou seu Espírito exata-mente cinqüenta dias após o sábado da páscoa dos judeus, ou seja, aparentemente, no primeiro dia da semana (At 2.1; Lv 23. 15,16). O significado da palavra “pentecostes” é “cinqüenta”, referindo-se aos cinqüentas dias após o sábado da Páscoa. Quarenta e nove dias alcançariam sete sábados ou dias de descanso, e o qüinquagésimo dia seria um domingo, o primeiro dia da semana. Desse modo, parece que o Espírito Santo foi derramado no primeiro dia da semana, quando o povo de Deus da nova aliança estava reunido para adoração. Assim esse padrão referente ao dia da adoração seria estabelecido com mais firmeza. Tanto a ressurreição de Cristo quanto o derramamento do Espírito realizaram-se no primeiro dia da semana.
5. Durante o tempo em que o apóstolo Paulo pregava o evangelho de Cristo entre judeus e gentios em todo o mundo, o primeiro dia da semana era utilizado como a ocasião em que os crentes se reuniam para adoração. Na Grécia, Paulo e Lucas reuniram-se com o povo de Deus, a fim de partirem o pão e ouvirem a pregação da Palavra de Deus, no primeiro dia da semana (At 20.7). Esse era o dia em que o povo da nova aliança se reunia para ouvir a Palavra de Deus.
6. Paulo escreveu aos crentes de Corinto para estabelecer o padrão referente às suas ofertas para o serviço do Senhor. Paulo ordenou que os crentes daquela cidade seguissem o padrão que havia sido estabelecido na Galácia (1 Co 16.1). No primeiro dia da semana, eles deveriam consagrar suas ofertas ao Senhor (1 Co 16.2). Ora, esse padrão referente ao dia de adoração se tornou comum a todos os crentes, em todas as igrejas. O primeiro dia da semana foi o tempo designado para eles apresentarem suas ofertas ao Senhor.
O Dia do Senhor
O sétimo e final assunto é este. O apóstolo João, em idade avançada e possivelmente o único sobrevivente do grupo dos primeiros apóstolos, havia sido banido para a ilha de Patmos. Nesta circunstância, ele não podia reunir-se com o povo de Deus para adoração. Mas o idoso após-tolo nos informa que achou-se, “em espírito, no dia do Senhor” (Ap 1.10). O significado desse achar-se “em espírito, no dia do Senhor” parece bastante claro. Pelo poder do Espírito Santo, ele entrara na presença do Senhor e estava oferecendo-Lhe sua adoração.
Mas o que significa a frase “dia do Senhor”? Em certo sentido, podemos dizer que cada dia da semana poderia ser chamado “dia do Senhor”. Mas o apóstolo João estava se referindo a algo mais específico. Ele não falou apenas sobre “um dia que havia sido consagrado ao Senhor”; pelo contrário, falou sobre o dia do Senhor. Por que esse dia era chamado o “dia do Senhor”? Esse é o dia que prova ao mundo que Ele é o Senhor. Nesse dia, Jesus fez o universo entender que Ele é o Senhor de tudo que existe. Foi o dia de sua ressurreição. Naquele dia, Ele venceu o último dos inimigos do pecador, a morte. No primeiro dia da semana, Ele mostrou que seu poder pode vencer todos os inimigos, até mesmo a morte. Este é “o dia do Senhor”.
Honrando a Deus
Nos dias do final da vida do apóstolo João, os crentes reconheciam que havia um dia da semana chamado “o dia do Senhor”. Naquele dia, eles celebravam a ressurreição de Cristo e o derramamento do Espírito. Aquele dia tornou-se o dia em que eles se reuniam para regozijarem-se na ressurreição de Cristo, pelo poder do Espírito Santo.
O mesmo acontece até hoje. Ainda permanece em vigor o mandamento original de honrar a Deus por separarmos um dia entre sete para adorá-Lo, visto que essa exigência fazia parte dos dez mandamentos preceituados nos padrões da lei moral de Deus para os homens. Um dia entre sete tem de ser consagrado a adoração e culto a Ele. Tanto a criação quanto a redenção comprovam que Deus precisa ser honrado dessa maneira.
Desde a criação do mundo até a vinda de Cristo, esse dia era o último da semana. Os crentes do Antigo Testamento olhavam para frente, para o descanso que o Salvador traria.
Mas Cristo já veio. Ele ressuscitou vitoriosamente sobre to- dos os seus inimigos. Essa vitória foi conquistada no primeiro dia da semana. Nesse dia, o Senhor Jesus foi ao encontro de seus discípulos, que estavam reunidos para ter comunhão com Ele.
Portanto, temos de celebrar o descanso que Ele conquistou para nós. Devemos entrar no seu descanso por oferecer-lhe nossa adoração no primeiro dia da semana. Esse é o único padrão demonstrado nas Escrituras do Novo Testamento em referência ao dia de adoração para o povo de Deus.
![]() |
| O. Palmer Robertson |
1 Coríntios 13:1-3 - "A Excelência do Amor" Rev. Cláudio Neves
Sermão dia 04.10.2015.
1 Coríntios 13:1-3 - A Excelência do Amor
Série: "O Amor e Seus Frutos" - Sermão 01
Rev. Cláudio Neves
quarta-feira, 30 de setembro de 2015
Salmo 45 - Um Casamento Real - Rev. Cláudio Neves
Sermão dia 27.09.2015
Salmo 45 - Um Casamento Real - Rev. Cláudio Neves
4º Sermão da Série "O Cristo Revelado nos Salmo"
Salmo 45 - Um Casamento Real - Rev. Cláudio Neves
4º Sermão da Série "O Cristo Revelado nos Salmo"
terça-feira, 29 de setembro de 2015
O Amor e Seus Frutos - Divulgação - Nova Série
No mês de Outubro de 2015, a Igreja Presbiteriana de Mandacaru estará promovendo uma nova série de exposições bíblicas. A Série: "O Amor e Seus Frutos", contará com exposições detalhadas em I Coríntios 13. Aprenderemos sobre o verdadeiro amor cristão.
Como dizia Jonathan Edwards: "Certamente de toda virtude salvífica, e que distingue o cristão genuíno dos demais, está sumariada no amor cristão".
Você é nosso convidado!
Domingo ás 18:00hs.
Por que não há mais apóstolos hoje? - Rev. Augustus Nicodemus
Em sua polêmica contra os escribas e fariseus, Jesus de certa feita se referiu a seus apóstolos como aqueles que, à semelhança dos profetas, sábios e escribas enviados por Deus ao antigo Israel, seriam igualmente enviados, rejeitados, perseguidos e mortos (Lc 11.49 com Mt 23.34). Desta forma, ele estabelece o paralelo entre os apóstolos e os profetas como enviados de Deus ao seu povo.
Tem sido observado que os sucessores dos profetas do Antigo Testamento, como Isaias, Jeremias, Ezequiel, Daniel e Amós, por exemplo, não foram os profetas do Novo Testamento, que tinham ministério nas igrejas locais, mas os apóstolos de Jesus Cristo, mais especificamente os doze e Paulo.1
Conforme já vimos acima, os profetas foram diretamente vocacionados e chamados por Deus (cf. Is 6.1-9; Jr 1.4-10; Ez 2.1-7; Am 7.14-15). A palavra mais usada para “profeta” no Antigo Testamento (nabi), que transmite o conceito de alguém que fala por outro, como “sua boca” (Ex 4.16; 7.1; cf. ainda Dt 18.14-22). O profeta era, então, primariamente, alguém que falava da parte de Deus, inspirado e orientado por ele. Os profetas falaram ousadamente da parte dele sua mensagem ao povo de Israel (Lc 1.70; Hb 1.1-2). Parte destas profecias veio a ser escrita e registrada no Antigo Testamento, que é chamado por Paulo de “escrituras proféticas” (Rm 16.26, cf. ainda 2Pe 1.21; 2Tm 3.16).2 Notemos que a mensagem dos profetas não consistia apenas da predição de eventos futuros relacionados com a ação de Deus na história, os quais se cumpriram infalivelmente (Dt 18.20-22; cf. 1Rs 13.3,5; 2Rs 23.15-16). A mensagem deles consistia, em grande parte, na exposição desses eventos e sua aplicação aos seus dias. Os profetas introduziam suas palavras com as fórmulas “assim diz o Senhor” e “veio a mim a Palavra do Senhor dizendo,” o que identificava sua mensagem como inspirada e infalível. Como tal, deveria ser recebida pelo povo de Deus como a própria palavra do Senhor.
A literatura intertestamentária produzida pelos judeus nos séculos depois de Malaquias considerava que o ministério desses profetas encerrou-se com Malaquias.3 Da mesma forma, os escritores do Novo Testamento se referem aos profetas antigos como um grupo fechado e definido (cf. Mt 23.29-31; Mc 8.28; etc.). A pergunta é: através de quem Deus continuou a se revelar? Quem foram os sucessores dos profetas do Antigo Testamento como receptores e transmissores da Palavra de Deus? Resta pouca dúvida de que foram os doze apóstolos e o apóstolo Paulo, e não os profetas cristãos das igrejas locais, como aqueles que haviam em Jerusalém, Antioquia e Corinto, por exemplo (At 11.27; 13.1; 1Co 14.29). Ao contrário do que ocorria no Antigo Testamento, profetizar, na igreja cristã nascente, era um dom que todos os cristãos poderiam exercer no culto, desde que seguindo uma determinada ordem (1Co 12.10; 14.29-32). E, diferentemente dos grandes profetas de Israel, as palavras dos profetas cristãos tinham de ser julgadas pelos demais (1Co 14.29) e eles estavam debaixo da autoridade apostólica (1Co 14.37).
Em contraste com os profetas cristãos, os apóstolos do Novo Testamento, isto é, os doze e Paulo, receberam uma chamada específica de Jesus Cristo, receberam revelações diretas da parte de Deus, como os antigos profetas (At 5.19-20; 10.9-16; 23.11; 27.23; 2Co 12.1), e assim predisseram futuros eventos relacionados com a história da salvação, entre os quais a segunda vinda do Senhor, a ressurreição dos mortos e o juízo final – isso não quer dizer que sua chamada se deu porque tinham o “dom” de apóstolo. (1Co 15.51-52; 2Ts 2.1-12; 2Pe 3.10-13).4 Lembremos que o livro de Apocalipse é uma profecia (ver Ap 1.3; 22.18-19) escrita por um apóstolo.5 Ao contrário dos profetas cristãos das igrejas locais, que não deixaram nada escrito, os apóstolos foram inspirados para escrever o Novo Testamento (1Ts 2.13; 2Pe 3.16) e a palavra deles deveria ser recebida, à semelhança dos profetas antigos, como Palavra de Deus, sem questionamentos, ao contrários dos profetas das igrejas locais (Gl 1.8-9; 1Co 14.37). Os autores neotestamentários que não foram apóstolos, como Marcos, Lucas, Tiago e Judas eram, todavia, parte do círculo apostólico e associados aos apóstolos, escrevendo a partir do testemunho deles.6
Como sucessores dos profetas de Israel e canais da revelação, os apóstolos aparecem juntos com eles na base da igreja. Nas palavras de Jesus, “Enviar-lhes-ei profetas e apóstolos, e a alguns deles matarão e a outros perseguirão” (Lc 11.49). Paulo junta os dois grupos duas vezes na carta aos Efésios como aqueles designados por Deus para lançar as bases da igreja; “edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas” (Ef 2.20); “o qual, em outras gerações, não foi dado a conhecer aos filhos dos homens, como, agora, foi revelado aos seus santos apóstolos e profetas, no Espírito” (Ef 3.5). Muitos estudiosos entendem que os “profetas” mencionados nestas duas passagens de Efésios são profetas das igrejas neotestamentárias, que vieram depois dos apóstolos. Todavia, mesmo estando numa sequência temporal invertida, “profetas” se entende melhor como os grandes profetas de Israel, que vieram antes dos apóstolos. A sequência “apóstolos e profetas” não precisa ser entendida como uma sequência temporal. Os apóstolos são mencionados primeiro por estarem no foco do contexto.7
Em sua segunda carta, Pedro admoesta seus leitores a se recordarem tanto das palavras que foram ditas pelos “santos profetas” como do mandamento ensinado por “vossos apóstolos” (2Pe 3.2). Alguns entendem que “vossos apóstolos” aqui é uma referência aos missionários pioneiros que haviam fundado as igrejas às quais Pedro escreve. Contudo, a carta de Pedro não foi destinada a igrejas locais específicas e sim aos cristãos em geral (cf. 2Pe 1.1). O único grupo de “apóstolos” que se encaixaria como “vossos apóstolos” seriam os doze, que eram apóstolos para todas as igrejas.8 A carta de Judas, cuja similaridade com a segunda carta de Pedro tem levado estudiosos a acreditarem numa dependência literária entre elas,9 ao se referir aos apóstolos neste mesmo contexto, designa-os como “os apóstolos de nosso Senhor Jesus Cristo,” numa clara referência ao grupo dos doze (Jd 17).10 Estas passagens refletem a consciência de que os apóstolos de Jesus Cristo foram os continuadores dos profetas do Antigo Testamento como canais pelos quais Deus revelou sua vontade.11
Uma vez que a revelação de Deus quanto ao plano da salvação foi totalmente escrita e registrada de maneira final, completa e infalível pelos apóstolos, no Novo Testamento, completando assim a revelação dada através dos profetas de Israel no Antigo Testamento, encerrou-se o ministério de ambos os grupos.
Já que os apóstolos foram os sucessores dos profetas do Antigo Testamento, não há, pois, hoje, possibilidade de haver apóstolos como os doze e Paulo, pois eles foram recipientes e transmissores da revelação final de Deus para seu povo, que se encontra registrada no Novo Testamento.
Fonte: Trecho do livro “Apóstolos”, futuro lançamento da Editora Fiel.
1 - Cf. Heber Carlos de Campos, “Profecia Ontem e Hoje” emMisticismo e Fé Cristã (São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2013), pp. 63-126; Christiaan J. Beker, Paul the Apostle - The Triumph of God in Life and Thought (Philadelphia: Fortress Press, 1980), p. 113.
2 - Alguns estudiosos, como E. E. Ellis, sugerem que “escrituras proféticas” é uma alusão de Paulo a escrituras que haviam sido produzidas por profetas neotestamentários, escritos estes que haviam circulado pelas igrejas, mas nunca foram preservados (E. Earle Ellis,The Old Testament in Early Christianity em WUNT, 54 [Tübingen: Mohr/Siebeck, 1991], 4-5; E. Earle Ellis, Pauline Theology: Ministry and Society [Grand Rapids: Eerdmans; Exeter: Paternoster Press, 1989], 138 n. 79). Todavia, Cranfield corretamente considera esta interpretação de Ellis como “desesperada” (C. E. B. Cranfield, A Critical and Exegetical Commentary on the Epistle to the Romans, 2 vols, em International Critical Commentary [Edinburgh: T. & T. Clark, 1979], 2:811, n.8).
3 - “Desde que os últimos profetas Ageu, Zacarias e Malaquias morreram, o Espirito Santo cessou em Israel” (T. Sota, 13, 2). Cf. πνε?μα no TDNT.
4 - O livro de Atos registra duas ocasiões em que Ágabo, um profeta de Jerusalém, anunciou acontecimentos futuros, relacionados com uma fome que veio a acontecer nos dias do imperador Cláudio (At 11.27-30) e com a prisão de Paulo em Jerusalém (At 21.10-11). O fato de que somente estes dois casos de profecias predictivas (e feitas por um único profeta) estão registrados pode indicar que a previsão do futuro não era comum fora do círculo apostólico, especialmente ainda se considerarmos que ambas as profecias de Ágabo estavam relacionadas com o ministério de Paulo. White tenta colocar estas profecias de Ágabo no mesmo nível daquelas revelações fundacionais que foram dadas aos apóstolos (Ef 3.5; cf. R. Fowler White, "Gaffin and Grudem on Eph 2:20: In Defense of Gaffin's Cessationist Exegesis," em Westminster Theological Seminary, 54 [1992], 309-310), mas é evidente que elas estavam relacionadas com a vida pessoal do apóstolo Paulo, tanto sua em ida a Jerusalém levando ajuda para os crentes da Judeia, como em sua posterior prisão naquela cidade.
5 - Assumimos aqui que foi o apóstolo João quem escreveu o livro de Apocalipse.
6 - Marcos escreveu a partir do testemunho de Pedro. Lucas foi companheiro de Paulo. Tiago era o irmão de Jesus, líder da igreja de Jerusalém e próximo do círculo (Gl 1.19). Judas era outro irmão de Jesus e também relacionado com o círculo apostólico. Lembremos por fim que Hebreus entrou no cânon porque sua autoria era atribuída ao apóstolo Paulo, como até hoje é defendido por vários estudiosos.
7 - Que Ef 3.5 se refere aos profetas do Antigo Testamento é também defendido por F. Mussner, Christus, das All und die Kirche: Studien zur Theologie der Epheserbriefes (Trierer: Paulinus, 1955), 108. Deve-se admitir, contudo, que grande parte dos comentaristas pensa que Paulo está se referindo aos profetas neotestamentários, como Andrew T. Lincoln, por exemplo. (Ephesians em Word Biblical Commentary, vol. 42, eds. D. Hubbard, et al. [Dallas, TX: Word Books, 1990], 153. Tanto Gaffin (Richard B. Gaffin, Jr. Perspectives on Pentecost: New Testament Teaching on the Gifts of the Holy Spirit [Grand Rapids: Baker, 1979], 93) quanto Grudem (Wayne Grudem, The Gift of Prophecy in 1 Corinthians [Washington: University Press of America, 1982], 47) entendem que “profetas” em Efésios 2.20 se refere aos do Novo Testamento, mas eles fazem esta defesa no contexto do debate cessacionismo-continuismo. Um dos principais argumentos contra o entendimento de que Paulo aqui se refere aos profetas do Antigo Testamento é a ordem “apóstolos e profetas,” o que tornaria isto cronologicamente impossível. Entretanto, a menção que Paulo faz dos profetas do Antigo Testamento, depois de Jesus em 1Ts 2.15, “os quais não somente mataram o Senhor Jesus e os profetas, como também nos perseguiram” certamente inverte a sequência histórica dos eventos e mostra que Paulo nem sempre está preocupado com a cronologia, como estudiosos modernos estão. Cf. F. F Bruce, 1 & 2 Thessalonians, WBC, vol. 45, eds. D. Hubbard, et al. (Dallas, TX: Word Books, 1982), 47; Robert Jamieson, A. R. Fausset, e David Brown, Commentary Critical and Explanatory on the Whole Bible (Oak Harbor, WA: Logos Research Systems, Inc., 1997).
8 - Cf. A. T. Robertson, Word Pictures in the New Testament(Nashville, TN: Broadman Press, 1933) in loco; D. A. Carson, R. T. France, J. A. Motyer, e G. J. Wenham, orgs. New Bible commentary: 21st century edition. 4th ed. (Leicester, England; Downers Grove, IL: Inter-Varsity Press, 1994) in loco.
9 - Veja Augustus Lopes, II e III de João e Judas (São Paulo, SP: Editora Cultura Cristã, 2009).
10 - Cf. Jamieson, Commentary, in loco.
11 - É preciso observer que a declaração de Jesus de que “todos os Profetas e a Lei profetizaram até João” (Mt 11.13) significa o encerramento do ministério dos profetas do Antigo Testamento, mas não o término da revelação que começou a ser dada através deles. Os apóstolos do Novo Testamento – e não os profetas do Novo Testamento – foram os canais pelos quais esta revelação continuou a ser dada. É neste sentido que os consideramos como sucessores dos profetas de Israel.
![]() |
| Rev. Augustus Nicodemus Lopes |
quarta-feira, 23 de setembro de 2015
Salmo 110 - O Messias Poderoso - Rev. Cláudio Neves
Sermão dia 20.09.2015
Salmo 110 - O Messias Poderoso - Rev. Cláudio Neves
3º Sermão da Série: "O Cristo Revelado nos Salmos"
A Igreja é Una - R. C. Sproul
No capítulo dezessete do evangelho de João, Jesus oferece a oração mais extensa registrada para nós no Novo Testamento. É uma oração de intercessão na qual ele orou por seus discípulos e por todos aqueles que haveriam de crer por meio do testemunho de seus discípulos. Essa oração é chamada de a Oração Sacerdotal de Jesus. Um dos temas centrais dessa oração é o pedido de Cristo ao Pai para que seu povo possa ser um. Era uma oração pela unidade cristã. Contudo, aqui estamos nós, no século vinte e um, e a igreja provavelmente se encontra mais fragmentada que em qualquer outro período da história da igreja. Temos visto uma crise com a pergunta: “O que é a igreja, afinal de contas?”
Historicamente, por meio do Concílio de Niceia da igreja primitiva, a igreja foi definida por quatro palavras- -chave, a saber: 1) una, 2) santa, 3) católica, e 4) apostólica. Conforme estudarmos a natureza da igreja, desejo detalhar essas quatro categorias descritivas, visto que elas definem a natureza da igreja.
Em primeiro lugar, a igreja é una. Sério? Se pesquisarmos o cenário da cristandade dos dias de hoje, a última palavra que poderemos usar para descrevê-la será una, ou unificada.
Como podemos compreender e responder à oração de Cristo pela unidade da igreja e à declaração da igreja primitiva de que a igreja é una? Tem havido diferentes abordagens para este tema ao longo da história. No século vinte ocorreu o que tem sido chamado de “o movimento ecumênico”. Foi uma tentativa, por meio do Conselho Mundial de Igrejas e outras organizações, de se mover em direção à formação ou reforma de grupos denominacionais dissidentes em um único e centralizado corpo eclesiástico.
O objetivo maior do movimento ecumênico era a restauração da unidade da igreja visível. Uma das coisas que vimos como resultado deste impulso em direção à unidade foi um número crescente de fusões entre denominações anteriormente divididas. Infelizmente, o que geralmente ocorre quando duas igrejas ou denominações fazem uma fusão é que determinadas pessoas não concordam com essa junção e acabam abandonando a recém-formada organização para fundar uma nova que se alinhe com seus valores. Então, em seus esforços para diminuir o número de igrejas por meio da unificação, estes movimentos simplesmente criam ainda mais igrejas.
Além disso, outro problema surgiu. Foi o problema do pluralismo. Pluralismo é uma filosofia que permite a uma ampla diversidade de pontos de vista e doutrinas coexistirem dentro de um único corpo. Como surgiram tantas disputas doutrinárias dentro de algumas igrejas, eles tentaram manter a paz e a unidade ao mesmo tempo em que acomodavam as diferentes visões dentro da igreja. Foi uma tentativa de acomodar pontos de vista conflitantes.
Conforme a igreja se torna mais pluralista, o número de pontos de vista contraditórios tolerados aumenta. Por sua vez, a unidade estrutural e organizacional se torna a principal preocupação. As pessoas lutam para manter a unidade da igreja visível a todo custo. No entanto, sempre há um preço a ser pago por isso, e, historicamente, o preço tem sido a pureza confessional das igrejas.
Quando o movimento protestante começou nos séculos dezesseis e dezessete, foram criadas as confissões. Elas eram declarações do credo que estabeleciam as doutrinas subscritas e confessadas por aquelas igrejas em particular. Em sua maior parte, estes documentos confessionais resumiam os princípios centrais do que significa ser um cristão – coisas como a crença na trindade, Cristo como uma pessoa com duas naturezas, e a ressurreição dos corpos. Por séculos, o protestantismo foi definido pelo conjunto de doutrinas confessado por cada organização. Mas em nossos dias, parte do impacto do movimento ecumênico tem sido a relativização dessas antigas confissões. Além disso, em algumas igrejas tenta-se alargar a base confessional nas linhas do pluralismo a fim de atingir a unidade da igreja visível.
Se você faz parte de uma igreja, por que você deve permanecer ali? Já por algum tempo, tenho percebido que as pessoas têm a tendência de trocar de denominação. A tendência é de ir para onde elas gostam do pastor, da pregação, da música ou de qualquer programa em particular. Muitas vezes, as pessoas se sentem confortáveis mudando de denominação em denominação ou de igreja local em igreja local. Infelizmente, raramente encontramos pessoas que prestam atenção no que a igreja acredita. Todavia, quando a igreja foi chamada à unidade no Novo Testamento, precisamos lembrar que o apóstolo Paulo falava de unidade nestes termos: um Senhor, uma fé e um batismo. Esta unidade não é algo meramente superficial em termos de ser uma organização unificada ou uma metodologia unificada, mas antes de tudo e mais importante, é uma confissão de fé unificada na pessoa e na obra de Cristo. Em segundo lugar, deve-se concordar com o conteúdo daquela confissão. Infelizmente, a unidade da igreja tem sido quebrada precisamente onde se esperaria encontrar unidade, a saber, unidade no evangelho apostólico.
Fonte: livro “O que é a igreja?” de R. C. Sproul (Questões Cruciais 16. No prelo pela Fiel).
![]() |
| R. C. Sproul |
terça-feira, 15 de setembro de 2015
Salmo 22 - Rev. Cláudio Neves "O Salmo da Cruz"
Sermão 13.09.2015
Salmo 22 - O Salmo da Cruz - Rev. Cláudio Neves
2º Sermão da Série "O Cristo Revelado nos Salmos"
quarta-feira, 9 de setembro de 2015
sexta-feira, 4 de setembro de 2015
O CRISTO REVELADO NOS SALMOS - NOVA SÉRIE
Em Setembro estaremos realizando uma série de exposições nos salmos messiânicos, revelando assim a pessoa e obra de Cristo na poesia hebraica. Contamos com a sua presença!
quarta-feira, 2 de setembro de 2015
O Evangelho que Aponta para a Eternidade - Steven J. Lawson
O século XVIII foi uma era de grandes pregadores, homens a quem Deus levantou para proclamar a sua Palavra e marcar a geração em que viviam. Um levantamento sobre o cristianismo moderno, com certeza, identificaria o maior pregador da Grã-Bretanha durante o período do reavivamento evangélico como sendo João Wesley, um dos fundadores do Metodismo. Semelhantemente, uma enquete atual de observadores dos primeiros avivamentos na América, sem dúvida, nomearia Jonathan Edwards, considerado por muitos como o maior pastor-teólogo da América, como principal pregador do Grande Avivamento nas colônias.
Porém, se voltássemos no tempo e avaliássemos aqueles que viviam durante o século XVIII, quer em Londres, Edimburgo, quer nos Estados Unidos, não há dúvida de que a resposta seria uma só. Na verdade, até mesmo João Wesley ou Jonathan Edwards certamente nomeariam o mesmo homem. O homem considerado pelos contemporâneos como maior pregador de seu tempo foi George Whitefield.
Como ganhador de almas, Whitefield viveu para glorificar a Jesus Cristo e chamar pecadores perdidos ao arrependimento e fé nele. O foco de seu ministério extraordinário foi a simples proclamação do evangelho e o apelo aos não convertidos para que entrassem pelo caminho estreito. Onde quer que estivesse — em uma igreja, em campo aberto, na praça de uma cidade, em um navio, numa casa — e com quem estivesse — quer fosse da realeza, carvoeiros simples, os mais cultos, os mais rudes — Whitefield, corajosamente, sempre estava exaltando a Cristo e chamando com fervor por seu veredicto. Ele tinha o propósito de não estar com ninguém por mais de quinze minutos sem confrontá-lo com as reivindicações de Cristo.
No coração do prolixo ministério de Whitefield estava a mensagem do evangelho. Ele se deleitava nas verdades da livre graça de Deus na expiação substitutiva de Cristo. O próprio coração de Whitefield fora cativado pelo evangelho enquanto ainda estudante em Oxford, e ele havia resolvido levar essa mesma mensagem transformadora de vida para as massas. Escolheu não esperar que os não conversos viessem a ele. Como um que vai atrás de uma ovelha perdida que se desviou do aprisco, Whitefield ardentemente buscava os perdidos, necessitados de Cristo. Era este o cerne de sua pregação. Em seu ministério evangelístico, ele continuamente apontava para a eternidade:
Apontando para a Eternidade
Whitefield ainda impressionava seus ouvintes quanto à certeza da eternidade que estava diante deles. Ele lhes falava com poderoso senso de Deus e pesado senso de eternidade. Pregava como se o juízo final, céu e inferno estivessem assomando o horizonte imediato. Em quase todo sermão, Whitefield afirmava que o dia da eternidade estava próximo. O Juiz está à porta, exclamou ele, pronto a pisar em cena. Essa espécie de pregação pressionando para a eternidade — tanto do céu quanto do inferno — caracterizava o impulso evangelístico de George Whitefield.
Whitefield falava do céu como gloriosa realidade, e lar futuro para onde todos os santos iriam. Ele proclamava: “No céu o iníquo cessará de perturbar-vos, e vossas almas cansadas gozarão descanso eterno; os seus dardos chamejantes não poderão mais vos alcançar nessas regiões de felicidade: Satanás nunca mais virá perturbar, incomodar ou acusar os filhos de Deus, quando o Senhor Jesus Cristo tiver fechado a porta.”38 Estar livre do pecado, na presença de Cristo, é a bênção suprema do céu; a grande separação acontecerá, removendo os crentes dos descrentes e os justos dos injustos.
Com palavras gráficas e voz arrebatadora, Whitefield tinha a capacidade de representar de maneira dramática os horrores do inferno. Seu linguajar vivaz na descrição do lago de fogo fazia com que as pessoas sentissem estar prestes a cair a qualquer momento dentro do abismo sem fundo. Choro, gritos e soluços podiam ser ouvidos enquanto Whitefield pregava a respeito do castigo dos ímpios em chamas. Em um sermão, Whitefield desafiou assim os seus ouvintes:
Pensai com frequência nas dores do inferno; considerai, se não seria melhor cortar a mão direita ou o pé, e arrancar um olho direito, se esses nos ofendem (ou fazem que nós pequemos) “ao invés de serdes lançados no inferno, onde não morre o verme e o fogo não se apaga.” Pensai em quantos milhares estão agora ali reservados, com espíritos condenados em cadeias de trevas para o juízo do grande dia. [...] Pensais vós, que imaginam Jesus Cristo como sendo mestre severo; ou melhor, não pensais que eles dariam dez mil vezes, dez mil mundos, se apenas pudessem voltar novamente à vida, e tomar o jugo suave de Cristo sobre eles, não o fariam? Poderemos suportar o fogo eterno mais do que eles?... Como poderemos suportar a sentença irrevogável: “Afastai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o Diabo e seus anjos”?
Muitas eram as vezes em que Whitefield fazia perguntas desafiadoras a seus ouvintes, forçando-os a pensar aonde passariam a eternidade. Por suas próprias respostas, os que o escutavam, muitas vezes, condenavam a si mesmos.
Como podereis estar diante do tribunal de um Juiz que se ira e vinga do pecado, vendo tantos discursos que desprezastes, tantos ministros, que ansiavam e labutavam em prol da salvação de vossas preciosas e imortais almas, apresentadas como tantas testemunhas velozes contra vós? Será que bastará então alegar que só fostes ouvi-los por curiosidade, para passar o tempo ocioso, para admirar a oratória ou ridicularizar a simplicidade do pregador?
Nenhuma decisão por Cristo, Whitefield asseverava, poderia ser feita após nossa morte. Ele implorava: “Enquanto não forem vossos pecados arrependidos, estais em perigo de morte, e se morrerdes, perecereis para sempre. Não há esperança para qualquer que viva em seus pecados, a não ser de habitar com os diabos e espíritos condenados por toda a eternidade.”41 A não ser que as almas perdidas recebam a Cristo nesta vida, não haverá esperança para os condenados na eternidade de escapar da punição.
Eram tão poderosos os apelos de Whitefield em seus sermões que “os zombadores eram silenciados, e as fortalezas de Satanás eram derribadas”.42 Conta-se que em certa ocasião, em um clube de bebedeiras em Filadélfia, havia um menino que
costumava imitar as pessoas para seu divertimento. Persuadido pelos senhores, o rapaz (ainda que relutantemente) levantou-se e imitou Whitefield, dizendo: “Digo a verdade em Cristo, eu não minto; se não vos arrependerdes, sereis todos condenados.” Essa palestra inesperada (citada de um dos sermões de Whitefield), desfez o clube, que nunca mais se reuniu.
Embora estivesse fisicamente ausente, os apelos de Whitefield ressoavam pelos bares e vielas de todas as cidades onde pregava.
A mensagem alarmante para o auditório de Whitefield era que, se não cressem em Cristo, as suas almas perdidas com certeza entrariam em uma eternidade da ira de Deus: “Ó pecador! Imploro-te a arrepender-te, para que a ira de Deus não se acenda! Que os fogos da eternidade não sejam acesos contra vós!”44 Seu fervor o levava a forçar as realidades do céu e do inferno sobre o coração de seus ouvintes. Whitefield sempre vivia à luz da eternidade, e pregava como quem sentisse o dia se aproximando cada vez mais.
O zelo evangelístico de George Whitefield fluía de seu amor pelo glorioso evangelho da graça. Foi esse amor e essa dedicação suprema que o impeliam a procurar os perdidos, revelar o pecado, exaltar a cruz, convocar a vontade, e apontar para a eternidade. De teologia totalmente calvinista, este fervoroso evangelista apresentava a única mensagem salvadora que existe para os pecadores culpados. Ele se deleitava em chamá-los para a fé em Cristo e deixar os resultados para Deus, pois somente ele pode salvar.
Arnold Dallimore escreveu: “Seu ministério apresenta exemplo sem paralelo da declaração da soberania de Deus, juntamente com o livre oferecimento da salvação a todos quantos cressem em Cristo.” Whitefield oferece exemplo ímpar de quem tinha em uma mão as doutrinas da graça e na outra mão o livre oferecimento do evangelho. Saber isso a respeito de Whitefield é conhecer o homem, e conhecer o homem é ter um mui excelente exemplo a seguir.
Carecemos de semelhante coragem, como de pedra, em nossa mensagem do evangelho. Precisamos voltar para Paulo, para Agostinho, Lutero, Calvino e os Reformadores, para os Puritanos, e enfim, para Whitefield. Precisamos novamente de arautos como estes, que não se envergonhavam de pregar sobre pecado e juízo, céu e inferno, arrependimento e fé, justiça e santidade. Temos de pregar a necessidade da transformação radical de vida, que só provém da realidade do novo nascimento. Que Deus levante em nossos dias uma multidão de vozes de clarim, que proclamem esta mesma mensagem do evangelho.
Fonte: Trecho do livro O Zelo Evangelístico de George Whitefield, lançamento da Editora Fiel de Abril de 2014, do autor Steven Lawson.
![]() |
| Steven Lawson |
Vivendo para Glória de Deus a Caminho da Eternidade
Sermão 30.08.2015.
Assista agora o 5º Sermão da Série: "Vivendo para a Glória de Deus" - Uma exposição de 2 Timóteo 4:1-22, sobre o tema: "Vivendo para Glória de Deus a Caminho da Eternidade"
Assinar:
Postagens
(
Atom
)











